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Capítulo III

_____Ouviu-se uma batida baixa na porta. Will disse "entre" em um volume bem mais audível, o que fez o gato, deitado nos pés da cama, pular de susto ao acordar. O felino, vendo seu dono acordado subiu na escrivaninha que ficava ao lado da cama e o fitou intensamente. Mas logo que uma mulher entrou no quarto o gato desviou seu olhar e pulou do móvel, indo para perto da janela, parecendo distraído com os pássaros no céu distante. A mulher pediu "licença" e começou a tratar os ferimentos de Will. Ele se lembrava brevemente dela, entretanto, não se recordava de praticamente nada da noite passada. Somente um vulto esfumaçado, o qual ele reconheceu por ter um belo e irresistível sorriso. Só agora ele notara que o sorriso não era a única beleza da jovem. Ela deveria ter mais ou menos a idade de Will. Tinha olhos azuis e um rosto delicado. Seus cabelos estavam presos em um coque. Eram negros com mechas loiras. Will gritava de dor. Apesar de ser um pouco de exagero de sua parte, a jovem tentava o acalmar. Ao acabar ela puxou uma cadeira para próximo da cama e ajudou Will a sentar-se. Então disse:
_____- Seria importante saber como se feriu, pois isso poderia ajudar no tratamento e acho que devemos comunicar a polícia...
_____-Não é necessário! - Ele disse, mais alto do que queria - Quer dizer, já estou bem e tudo o mais, e não é necessário incomodar a polícia... Eles têm muito trabalho... - A jovem o fitou com desconfiança.
_____- Muito bem, então. Acho bom descer, pois logo o café da manhã acabará. - Ela disse docemente, apesar de sua desconfiança.
_____- Você poderia trazer, por favor, aqui para mim? É que... ainda estou com dor... - E colocou a mão em sua perna. - A jovem o observou ainda mais desconfiada, pois sabia que ele poderia andar perfeitamente bem se quisesse.
_____- Claro. Como quiser. - Ela disse docemente e encaminhou-se para a porta. Já prestes a abri-la Will diz algo.
_____- Qual é o seu nome?
_____- Samantha
_____- Obrigado, Samantha. - Era algo que um antigo principezinho mimado não costumava dizer.
_____- De nada - Ela sorriu e atravessou a porta, a fechando atrás de si.
_____O gato foi até a porta e pareceu a analisar por algum tempo. Então voltou para perto de Will, na escrivaninha, e o fitou intensamente novamente. Mas dessa vez parecia decepcionado, e não preocupado.
_____- É possível que ela chame a polícia. - Disse o gato - Ser discreto pode, muitas vezes, ser indispensável.
_____- Realmente - disse Will, observando o gato com naturalidade.

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