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Capítulo II

_____O quarto tinha paredes claras e uma claridade típica da uma hora da tarde iluminava o aposento. Tudo era muito simples. Em uma cama de madeira rústica um jovem acabara de acordar. Seu braço esquerdo estava enfaixado e grande parte de seus curativos estavam sujos de sangue. Ele tinha olheiras e vários hematomas. Sentou-se com dificuldade e observou o seu braço ferido. Não acreditava que estava vivo... Mas também nunca imaginara que teria de se preocupar em manter sua vida. Pensara por tanto tempo em modos de conversar e fazer o dono daquela loja dar-lhe as informações requeridas... Ele pensou que ao falar de Black o homem não o feriria. O deixaria vivo para saber o que um pirralho - na visão de um velho e monstruoso homem - sabia sobre a relação entre os dois homens. E então ele, Willian Guttenberg, trocaria as informações que queria por seu silêncio. Porém, agora ele via seu erro. Era muito mais fácil fazê-lo ficar quieto matando-o. Com certeza não iria revelar o segredo do homem. Eles estavam em uma loja deserta... Por que não? Agora ele via como fora tolo...
_____E o pior era que ele sequer sabia o segredo do homem. Em meio a suas viajens soube que havia uma ligação entre os dois homens. Sabia que o dono da loja não gostaria que descobrissem essa relação, pois Steve Black fora um bandido conhecido e temido mundialmente. É fato que os moradores daquela ruazinha não faziam coisas aceitas pela lei, todavia, as autoridades preferiam ignorar o quadro, para fortalecer a ilusão de que aquele país era seguro. Entretanto, se um escândalo tão grande, como uma ligação com Black, viesse à tona os policiais teriam de fazer algo. Assim mostrariam prestatividade e não seriam atingidos pela mídia. Segurança? Com isso eles não se importavam... Só queriam uma vida tranquila, com dinheiro e, com sorte, fama.
_____Ele suspirou. O importante era que estava vivo. Não queria pensar em mais nada.

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