_____Will caminhou lentamente escada abaixo, Edward à seu lado. Sentia-se ridículo, rebaixado, humilhado... Não havia outro jeito. Chegou ao saguão, onde um funcionário o conduziu a uma porta que levava a um corredor. Caminhou até o seu fim, entrando por uma porta simples, mas imponente. Ao abri-lá encarou um homem magérrimo que, apesar de sua aparente anemia, era o mais poderoso do hotel. Ele era quase careca, e o pouco cabelo que lhe restava era totalmente descabelado; usava imitações de ternos caros - Will sabia os reconhecer -; tinha um olhar morto - simplesmente parecia não querer mais viver. Will sentia-se extremamente incomodado em sua presença. O homem emitia um ar de poder e Will via-se obrigado, na presente situação, a curvar-se diante de tal ilusão. Aquele foi o terceiro pior dia da sua vida.
_____O que acontecia, era que Will não tinha como pagar sua estadia no hotel, já que roubaram-lhe a jóia com a qual ele faria tal coisa. Teria de trabalhar, rebaixando-se a um funcionário, tendo de receber ordens de um magricela branquelo pobre, que achava ser o dono do mundo, pois não tinha condições de pagar aquele mísero hotel... Saiu da sala perplexo. Chegou em seu quarto e chorou mais um pouco, como já fizera muitas vezes nos últimos dias. Queria ter sua vida como ela era antes, mas no fundo, via essa possibilidade cada vez mais distante. Como sempre, Edward o consolou. Depois de certo tempo, quando Will estava melhor, o felino disse:
_____- Willian, você precisa se resolver com a polícia... Começando a trabalhar aqui, há de tornar-se mais visível. Não desejamos uma prisão inesperada.
_____- Mas, Ed... Eu não sei como fazer isso!
_____- Acharemos uma solução... Acredite.
_____Will fitou tristemente o nada, tentando encontrar esperança em seu interior. Talvez no dia de amanhã encontrasse Samantha - não a via desde aquele dia, quando entregou-se compulsivamente. Pelo menos ela não chamara a polícia, mas também não viera mais o tratar. Agora um homem alto, forte e moreno cuidava de Will. Seu nome ele não se lembrava, só sabia que não gostava dele - simpático de mais. Seus ferimentos estavam quase sarando, mas ainda não conseguia escrever nem fazer qualquer movimento que exigisse muita coordenação ou que gerasse impacto. Não sabia que tipo de atividade teria de desempenhar. Apesar de não adimitir, estava com medo. Bem, o que restava era aguardar o dia de amanhã...
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Capítulo V
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